terça-feira, março 18, 2008

Herói não tão herói

Quem escreve os livros dos heróis? Onde escreverem ou então quem disse que um herói não mente? Eu não me lembro de ter lido isto em lugar nenhum, e mesmo assim este estereotipo continua a aparecer na minha frente como se fosse um pop – up de propaganda indesejada. Na adaptação mais recente de um poema medieval temos um herói que conta uma mentira a um rei e com esta ganha o trono. Claro que antes de se torna tão ambicioso ele derrota um demônio, que pouco depois se mostra filho do rei Horthgar.
Em Beowulf, um filme feito com atores reais e que depois foram inseridos no mundo da computação gráfica, o bem e o mal estão em uma constante batalha, mas desta vez a linha que os separa não está tão definida como nos filmes heróicos que estamos acostumados. Um herói, Beowulf, que dorme com uma feiticeira, sendo que ele foi enviado para matá – la, a ela e a uma criatura deformada que se chama Grendel e por acaso é seu filho, um rei que nem de longe preenche os requisitos de honra e coragem esperados de um rei que contrata mercenários para resolver seus problemas. Dois casamentos que não são nem mesmo de longe perfeitos, quanto mais de perto, e um segundo filho de uma feiticeira que foi esquecida, depois de ter garantido ao guerreiro uma vida de riquezas e paz.
Não se pode negar que o personagem principal tem seu charme, afinal ele é o rei dos reis, o melhor dos guerreiros e nunca se rendeu e nenhum homem, nenhum guerreiro ou nenhuma fera, mas temos de concordar que isto não faz dele um ideal de herói. Mas no final das contas, esta produção tem uma trama muito bem desenvolvida, e harmônica, por isso se torna uma excelente diversão para fins de semana.

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